sábado, 2 de abril de 2016

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Como averbar tempo de Aluno Aprendiz na Previdência Social.

Como averbar tempo de Aluno Aprendiz na Previdência Social.

Neste artigo vamos tratar dos procedimentos que o segurado da Previdência Social deve adotar para averbar tempo que tenha exercido na condição de aluno aprendiz.

A comprovação de vínculo como aluno aprendiz é bem complexa e há várias formas de acordo com cada época em que a atividade foi exercida. Por isso não é fácil analisar casos específicos e muitas vezes não tenho como dizer se o vínculo pretendido será ou não aceito.

Para reunir as normas em que o INSS está se baseando para aceitar a comprovação dos vínculos como aluno aprendiz transcrevo abaixo os artigos da Instrução Normativa INSS/PRES 77/2015 que se referem a esse assunto.

Art. 76. Os períodos de aprendizado profissional realizados até 16 de dezembro de 1998, data da vigência da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, serão considerados como tempo de serviço/contribuição independentemente do momento em que o segurado venha a implementar os demais requisitos para a concessão de aposentadoria no RGPS, podendo ser contados:

I - os períodos de frequência às aulas dos aprendizes matriculados em escolas profissionais mantidas por empresas ferroviárias;

II - o tempo de aprendizado profissional realizado como aluno aprendiz, em escolas industriais ou técnicas, com base no Decreto-Lei nº 4.073, de 30 de janeiro de 1942 (Lei Orgânica do Ensino Industrial), a saber:

a) período de frequência em escolas técnicas ou industriais mantidas por empresas de iniciativa privada, desde que reconhecidas e dirigidas a seus empregados aprendizes, bem como o realizado com base no Decreto nº 31.546, de 6 de outubro de 1952, em curso do Serviço Nacional da Indústria – SENAI, ou Serviço Nacional do Comércio – SENAC, ou instituições por eles reconhecidas, para formação profissional metódica de ofício ou ocupação do trabalhador menor; e

b) período de frequência em cursos de aprendizagem ministrados pelos empregadores a seus empregados em escolas próprias para essa finalidade ou em qualquer estabelecimento de ensino industrial;

III - os períodos de frequência em escolas industriais ou técnicas, inclusive escolas e colégios agrícolas, da rede de ensino federal, escolas equiparadas ou reconhecidas, desde que tenha havido retribuição pecuniária à conta do orçamento respectivo do Ente Federativo, ainda que fornecida de maneira indireta ao aluno, observando que: (Alterado pela Instrução Normativa nº 85 INSS/PRES, de 19 de fevereiro de 2016).

a) só poderão funcionar sob a denominação de escola industrial ou escola técnica os estabelecimentos de ensino industrial ou técnico mantidos pela União e os que tiverem sido reconhecidos ou a eles equiparados (incluído pelo Decreto-Lei nº 8.680, de 15 de janeiro de 1946); (Alterado pela Instrução Normativa nº 85 INSS/PRES, de 19 de fevereiro de 2016).

b) entende-se como equiparadas as escolas industriais ou técnicas mantidas e administradas pelos Estados ou pelo Distrito Federal e que tenham sido autorizadas pelo Governo Federal (disposição do Decreto-Lei nº 4.073, de 1942); e

c) entende-se como reconhecidas as escolas industriais ou técnicas mantidas e administradas pelos Municípios ou por pessoa natural ou pessoa jurídica de direito privado e que tenham sido autorizadas pelo Governo Federal (disposição do Decreto-Lei nº 4.073, de 1942).
Art. 77. Os períodos citados no art. 76 serão considerados, observando que:

I - o Decreto-Lei nº 4.073, de 1942, vigente no período compreendido entre 30 de janeiro de 1942 a 15 de fevereiro de 1959, reconhecia o aprendiz como empregado bastando assim a comprovação do vínculo;

II - o tempo de aluno aprendiz desempenhado em qualquer época, ou seja, mesmo fora do período de vigência dos dispositivos do Decreto-Lei nº 4.073, de 1942, de que trata o tema, somente poderá ser considerado como tempo de contribuição desde que comprovada a remuneração e o vínculo empregatício, conforme Parecer MPAS/CJ nº 2.893, de 12 de novembro de 2002; e

III - considerar-se-á como vínculo e remuneração a comprovação de frequência e os valores recebidos a título de alimentação, fardamento, material escolar e parcela de renda auferida com a execução de encomendas para terceiros, entre outros.

Art. 78. A comprovação do período de frequência em curso do aluno aprendiz a que se refere o art. 76, far-se-á:

I - por meio de certidão emitida pela empresa quando se tratar de aprendizes matriculados em escolas profissionais mantidas por empresas ferroviárias;

II - por certidão escolar nos casos de frequência em escolas industriais ou técnicas a que se refere o inciso II do art. 76, na qual deverá constar que:

a) o estabelecimento era reconhecido e mantido por empresa de iniciativa privada;

b) o curso foi efetivado sob seu patrocínio; ou

c) o curso de aprendizagem nos estabelecimentos oficiais ou congêneres foi ministrado mediante entendimentos com as entidades interessadas.

III - por meio de Certidão de Tempo de Contribuição – CTC, na forma da Lei nº 6.226, de 14 de julho de 1975, e do Decreto nº 85.850, de 30 de março de 1981, quando se tratar de frequência em escolas industriais ou técnicas da rede federal, bem como em escolas equiparadas ou reconhecidas citadas nas alíneas “b” e “c” do inciso III do art. 76, nos casos de entes federativos estaduais, distritais e municipais, desde que à época, o Ente Federativo mantivesse RPPS;

IV - por meio de certidão escolar emitida pela instituição onde o ensino foi ministrado, nos casos de frequência em escolas industriais ou técnicas a que se refere o inciso III do caput, desde que à época, o ente federativo não mantivesse RPPS, devendo constar as seguintes informações:

a) a norma que autorizou o funcionamento da instituição;

b) o curso frequentado;

c) o dia, o mês e o ano do início e do fim do vínculo de aluno aprendiz; e

d) a forma de remuneração, ainda que indireta.

Parágrafo único. Para efeito do disposto na alínea “a” do inciso IV do caput,, deverá restar comprovado que o funcionamento da instituição foi autorizado pelo Governo Federal, conforme art. 60 do Decreto-Lei nº 4.073, de 1942.

Caso tenha alguma dúvida acesse o Fórum do Consultor Previdenciário, clique na imagem abaixo, e faça sua pergunta que será respondida assim que for possível.

Fórum do Consultor Previdenciário

17 comentários:

Emidio Santos disse...

ESTOU INCLUIDO NA LEGISLAÇÃO VIGENTE DO INSS, QUANTO O DIREITO DE COMPUTAR O TEMPO DE ALUNO APRENDIZ PARA APOSENTADORIA, EM QUE CONCLUIR O CURSO NO HORARIO INTEGRAL NO PERÍODO DE 1980 A 1982? E QUAL SERIA O MODELO DE CERTIDÃO, EMITIDA PELO SENAI PARA QUE O INSS POSSA ACEITAR? SERÁ QUE TENHO QUE ENTRAR NA JUSTIÇA?

Consultor Previdenciário disse...

Emidio

Não tenho essa informação, tem que obter o documento e levar no INSS para ver se aceitam ou não, se quiser pode ler o artigo e ver se ajuda em alguma coisa.

Norma cabral f. barroso disse...

Meu colégio era particular e fechou.Como faço para comprovação, junto ao INSS para aposentadoria?

Consultor Previdenciário disse...

Norma

Tem que ver para onde foram os documentos.

Marcio disse...

boa tarde Consultor,

e quanto a bolsa de iniciação científica, em faculdade (nível superior) ?

parece-me que está fora da IN-77 do INSS

obrigado

Consultor Previdenciário disse...

Marcio

Bolsista é contribuinte facultativo, assim só usa tempo que pagou.

Carlos Ribeiro disse...

Olá PESSOAL!!!

Primeiramente peço desculpas ao Consultor Previdenciário pois gostaria de me dirigir ao Emidio Santos pois estou na mesma situação dele e gostaria de saber se ele teria alguma novidade. Obrigado.

inaciogs disse...

Caro consultor, fui aluno do Senai, no período de jan/1980 a dez/1981, tendo fardamento e material didático fornecido pela instituição. Gostaria de saber se posso contabilizar esse tempo junto ao INSS, e como fazê-lo.

Inácio
inaciosacramento@gmail.com
inaciogs@hotmail.com

Consultor Previdenciário disse...

Inácio

Isso só o INSS pode responder, você pode tentar, veja o que precisa fazer lendo o artigo acima.

Data Link Softwares disse...

Fui aluno da Escola Técnica Tupy, mantida pela Fundição Tupy, de Joinville, SC, onde estudei em período integral nos anos 1975 até 1978, perfazendo 3 anos e 9 dias. Nesse período, a Fundição Tupy fornecia bolsa integral aos alunos da escola e ajuda alimentação. Este período pode ser computado para efeitos de tempo de aposentadoria? Obrigado.

Consultor Previdenciário disse...

Se a empresa forneceu documentação de acordo com o que consta no presente artigo pode ser aceito.

Luciano Bonfim disse...

Boa tarde! Estudei na Escola Polivalente,d de 1985 a 1989, tive cursos de tecnicas agrícolas, tecnicas comercias e arte industriais, podem ser averbadas?

Consultor Previdenciário disse...

Luciano

Não pode, só nos casos em que houve prestação de serviço.

Sol disse...

Senhor consultor fui aluno aprendiz de Escola Agrícola Estadual de Quatá SP, de 1971 a 1973 e tenho a certidão a qual já solicitaram devolução uma vez que hoje trata se da rede
Centro Paula Souza.Fui ao INSS e recusaram a averbar tempo junto Certidão Tempo Serviço CLT . Solicitei a averbação para complementar aposentadoria no serviço publico do PR e também foi indeferido.O tempo constante é dotado de verba do estado como educação,alimentação,alojamento, uniforme e assitencia médica odontológica.Peço uma orientação uma vez que em regime de internato era na verdade um regime de 'educação' pratica,teorica e de meio escravidão uma vez que trabalha ainda joven 15 anos,com venenos fortes e escalas de serviço obrigatórias em época de férias e feriados, isto para os que não tinham condições financeiras.

Consultor Previdenciário disse...

Sol

Se o teu caso não se enquadra nas regras do texto acima terá que procurar um advogado para ver se é caso de entrar na Justiça.

Paulo disse...

Prezado Consultor,
Estou dando entrada com a certidão no INSS para averbar o meu tempo de aluno em escola técnica federal. O INSS está aceitando, porém que reduzir o tempo a que tenho direito pelo fato de que na época que estudei também trabalhava. Mas esclareço que trabalhava durante o dia e estudava a noite. Assim, acho que seja justo o tempo ser computado integral, já que um não atrapalhava o outro. O que o sr. orienta?

Grato,

Paulo Roberto

Consultor Previdenciário disse...

Paulo

Não verdade não será diminuído, pois se tem tempo concomitante terá o mesmo tempo, pois não há dupla contagem. Se trabalha todo o dia a contagem é uma só, da mesma forma de quem trabalha em um único turno.